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Mês do trabalhador: maio foi marcado por violência contra mototaxistas

Ao menos seis profissionais da categoria foram baleados no Grande Recife, segundo Instituto Fogo Cruzado A violência armada pode atingir a todos: seja pela localidade onde vive, a profissão que exerce, ou o local onde passa a trabalho. No mês do trabalhador, nem mesmo quem cruza as ruas à trabalho teve sua vida poupada. Seis mototaxistas foram baleados na Região Metropolitana do Recife em maio, segundo relatório mensal lançado hoje (06) pelo Instituto Fogo Cruzado. Em 2021, neste mesmo mês, houve somente um mototaxista baleado. “A falta de segurança é um problema de toda a população, que se vê à mercê da violência armada. Trabalhadores informais muitas vezes se expõem ainda mais aos riscos: eles trabalham mais horas por dia para compensar o que ganham, se expõem aos alagamentos e enchentes e cruzam todas as partes da cidade, mesmo as mais violentas, e em qualquer hora do dia. O problema é que o poder público não garante a segurança nas cidades e coloca cidadãos que estão trabalhando em risco de morte”, analisa Edna Jatobá, parceira local do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco.

Elton Santos de Souza, de 24 anos, é um dos mototaxistas vítimas da violência armada na região metropolitana. Ele foi morto a tiros no dia 24, enquanto trabalhava na rua Uriel de Holanda, no bairro Linha do Tiro, em Recife.

O mês em dados Em maio, houve 168 tiroteios na Região Metropolitana do Recife, segundo relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. O número de registros é 27% maior que o acumulado em maio de 2021, quando houve 132 tiroteios. Ao todo, 192 pessoas foram baleadas no Grande Recife: 127 delas morreram e 65 ficaram feridas. Em comparação com maio de 2021, que concentrou 155 baleados, sendo 108 mortos e 47 feridos, o número de mortos foi 18% maior e o número de feridos 38% maior. Maio teve queda de 2% nos tiroteios, de 10% nos mortos, mas aumento de 7% nos feridos, em comparação com abril, que concentrou 172 tiroteios, deixando 141 mortos e 61 feridos. O dia 26, com 12 tiroteios e 12 vítimas, concentrou o maior número de tiros e de mortos no mês. O dia 29 concentrou o maior número de feridos, com seis vítimas. Dos 168 tiroteios ocorridos em maio no Grande Recife, 95% deles resultaram em mortos e/ou feridos.

O mapa da violência Entre os municípios que fazem parte da Região Metropolitana do Recife, os cinco mais afetados pela violência armada foram:

  • Recife: 57 tiroteios, 39 mortos e 20 feridos

  • Jaboatão dos Guararapes: 34 tiroteios, 26 mortos e 14 feridos

  • Cabo de Santo Agostinho: 29 tiroteios, 26 mortos e 13 feridos

  • Olinda: 14 tiroteios, 11 mortos e 4 feridos

  • Ipojuca: 7 tiroteios, 6 mortos e 2 feridos

Entre os bairros que fazem parte da Região Metropolitana do Recife, os mais afetados foram:

  • Cavaleiro (Jaboatão dos Guararapes): 8 tiroteios, 8 mortos e 1 morto

  • Varzea (Recife): 4 tiroteios, 3 mortos e 1 ferido

  • Ibura (Recife): 4 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos

  • Marcos Freire (Jaboatão dos Guararapes): 3 tiroteios e 4 mortos

  • Brasilia Teimosa (Recife): 3 tiroteios e 4 mortos

Perfil da violência armada

  • Entre os 127 mortos por arma de fogo na Região Metropolitana do Recife em maio, 93% (118) eram homens e 7% (9) eram mulheres. Entre os 65 feridos, 91% (59) eram homens e 6% (4) eram mulheres e 3% (2) não tiveram a identidade revelada.

  • Houve nove casos de homicídios múltiplos no Grande Recife resultando em 19 mortos no total (16 homens e três mulheres). Em maio de 2021 foram sete casos que deixaram 16 mortos (14 homens e duas mulheres).

  • 23 pessoas foram baleadas quando estavam dentro de casa: 18 morreram (16 homens e duas mulheres) e cinco ficaram feridas (três homens e duas mulheres). Em maio de 2021 foram 34 pessoas baleadas dentro de casa: 25 morreram (21 homens e quatro mulheres) e nove ficaram feridas (quatro homens e cinco mulheres).

  • Houve nove casos de roubos ou tentativas de roubo que terminaram em tiros no Grande Recife. Ao todo, 14 pessoas foram baleadas nestes casos: cinco mortos e nove feridos. Em maio de 2021 também foram cinco casos de roubos e tentativas que deixaram quatro baleados no total (dois mortos e dois feridos).

  • 12 adolescentes e quatro idosos foram baleados no Grande Recife: destes, quatro adolescentes e dois idosos morreram em maio de 2021, uma criança, seis adolescentes e quatro idosos foram baleados: destes, cinco adolescentes e dois idosos morreram.

  • Seis pessoas foram vítimas de bala perdida no Grande Recife em maio e sobreviveram. No mesmo período do ano passado, sete pessoas foram baleadas e sobreviveram.

  • Um vendedor ambulante foi morto a tiros em maio deste ano no Grande Recife. No mesmo período do ano passado não houve vítimas.

  • Quatro pessoas foram baleadas quando estavam dentro de bares: metade delas morreu. Em maio de 2021, seis pessoas foram atingidas dentro desses espaços, quatro delas morreram.

  • Um agente de segurança foi morto a tiros em maio. No mesmo período de 2021, houve dois agentes de segurança mortos a tiros.

Acumulado do ano Entre janeiro e maio, 812 tiroteios ocorreram na Região Metropolitana do Recife, segundo dados do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. Ao todo, 938 pessoas foram baleadas: 629 morreram e 309 ficaram feridas. Em comparação com o mesmo período de 2021, que concentrou 712 tiroteios, deixando 776 baleados, sendo 530 mortos e 246 feridos, este ano houve aumento de 14% nos tiroteios, de 19% nos mortos e de 26% nos feridos. SOBRE O FOGO CRUZADO O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 20 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e, em breve, em Salvador. Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto.



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