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­čôÜ AOS 61 ANOS, CAMARAGIBENSE, MORADOR DE CAMPO GRANDE ESCREVE ├Ç M├âO POESIAS E HIST├ôRIAS


Marcelo Jos├ę da Silva, de 61 anos, tem uma vendinha de salgados, doces e bebidas na Avenida Filinto M├╝ller, no Bairro Vila Ipiranga. Durante a pandemia, come├žou um novo hobby: copiar ├á m├úo, poemas e hist├│rias com filosofias de vida em cadernos.


Já são cinco com todas as folhas preenchidas de Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade ou outras histórias que seu Marcelo encontra na internet e acha interessante.


Foi a melhor coisa que eu fiz nessa pandemiaÔÇŁ, declara.


Natural de Camaragibe, em Pernambuco, veio para Campo Grande sete anos atr├ís, quando terminou um casamento em S├úo Paulo. ÔÇťEu fiz minhas malas, deixei ela pra tr├ís, vim pra c├í sozinho, s├│ eu e DeusÔÇŁ, conta.


Desde ent├úo, conseguiu a barraca bem em frente ao Hospital Universit├írio da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e dali n├úo saiu, pois tamb├ęm mora no bairro. A fam├şlia toda ficou por l├í mesmo, mas seu Marcelo n├úo se incomoda em estar sozinho por aqui. ÔÇťFormei minha filha advogada e sou o homem mais feliz do mundoÔÇŁ, expressa.


Durante a pandemia, diz não ter fechado a venda nenhuma vez, apenas reduzido o horário. Do ano passado para cá, passa a maior parte do tempo em companhia dos poetas. No balcão, ficam os cadernos, os óculos e caneta no avental, prontos para escrever as poesias entre um cliente e outro.


Todas as folhas t├¬m como um tipo de cabe├žalho a frase ÔÇťBoa tarde a todos os amigosÔÇŁ. ÔÇť├ë que eu pego isso aqui e coloco no Facebook depoisÔÇŁ, detalha. E se empolga ao compartilhar presencialmente tamb├ęm. Durante a entrevista, recitou algumas poesias e leu parte das hist├│rias para o Lado B. ÔÇťMeu favorito ├ę Fernando PessoaÔÇŁ, ressalta.


Marcelo recitando uma de suas poesias favoritas. (Foto: K├şsie Aino├ú)

As filosofias de vida fazem seu Marcelo at├ę se emocionar. A voz embarga e os olhos come├žaram a lacrimejar quando come├ža a contar algumas das hist├│rias. N├úo segura a emo├ž├úo ao contar uma de uma m├úe que foi internada em um asilo pelos filhos, mas antes de morrer, continuava preocupada com as necessidades deles.


ÔÇťNo final, ela diz: ÔÇťEu estou preocupada ├ę com voc├¬s, n├úo comigoÔÇŁ. J├í pensasse, como que pode uma coisa dessa? Eu fico assim porque eu incorporo o personagemÔÇŁ, comenta, emocionado.


Mas as l├ígrimas n├úo duram muito, pois depois das poesias e hist├│rias, outra coisa que seu Marcelo tamb├ęm gosta ├ę de fazer piadas. ÔÇťDurante essa pandemia, a ├║nica coisa que eu peguei foi AIDS: Alto ├Źndice de Defasagem Salarial. Uma vez eu falei isso pra uma namorada e ela tomou um susto. Mas aqui ├ę assim, eu converso e fa├žo piadas com o cliente e assim vou fazendo amizadesÔÇŁ, finaliza entre muitas risadas.


CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

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