A ultima Senhora de Engenho em Pernambuco


Fonte áudio visual: Vídeo produzido por Rubemar Graciano Fonte de texto: H. C. Santos para o Olinda de antigamente.

Devidamente liberado para divulgação no Camaragibe Agora

A ultima Senhora de Engenho em Pernambuco O vídeo traz um depoimento da ultima Senhora de Engenho de Pernambuco, Maria Anita Amazonas Mac Dowell, a ultima Senhora de Engenho em Pernambuco, senhora do Engenho Santiago de Camaragibe, que deu origem a cidade homônima, mais de quatrocentos anos pós a fundação do Engenho, que outrora fora uma das joias mais prospera de uma Olinda quinhentista, sustentada pelas riquezas da Cana de açúcar, produzida nos Engenhos dos mais ilustres senhores desta vila. Fundado em 1537, o Engenho de Santiago fora fundado em terras onde outrora habitavam tribos de etnia Tupinambás, que a chamavam na expressão tupi de Camará-Gype, que em português significa Rio dos Camarás, camará é uma espécie de arbusto muito comum naquela região. Lá, Diogo Alves e Branca Dias erigiram um dos mais preciosos engenhos de açúcar da Capitania da Nova Luziânia, sediada na Vila de Olinda, esta recém-criada. O Açúcar movimentou esta capitania durante muitos séculos, alimentou a colônia, e já decadente, também o império até seu final com o advento da república. Quando a ultima senhora de Camaragibe herdou o Engenho que pertencera a sua avó, Dona Antônia Lins Correia de Araújo, este então administrado por seus seus pais, dona Antônia Lins Correia de Araújo Amazonas, e o grande catedrático Joaquim Amazonas, um dos fundadores da UFPE, instituição que comandou durante doze anos, e Engenho Camaragibe já se encontrava em ‘Fogo Morto’(Termo utilizado para referir-se aos engenhos decadentes, ou que não mais moia), apenas vendendo sua minguada colheita, a algumas usinas do estado. Camaragibe já não produzia açúcar, e com muita dificuldade durante os anos 50 ainda plantava a cana. A altiva senhora de Camaragibe, recebeu o Engenho e o manteve no plantio da cana até finais dos anos 50. A partir dos anos 60, o avanço urbano no Recife, fizeram com que a cidade inflasse, empurrando muitos dos novos moradores as zonas mais longínquas, dentre as quais, as terras do Camaragibe. É Válido afirmar que já nesta altura, o Engenho em Fogo Morto, já não moía, e suas plantações eram minguadas. Parte da propriedade já havia sido vendida ao rico Affonso Pereira Carneiro, que junto a outros acionistas fundariam a Companhia Industrial Pernambucana – CIP, neste mesmo período nos arredores da fábrica de tecido, surge uma vila operária, a primeira da América Latina, a Vila da Fábrica, que mais tarde daria origem ao bairro. Somente em 1987, a histórica Fábrica de tecidos foi adquirida pelo forte grupo Brasperola que mais tarde já endividado fora arrematado pelo grupo VIVABRÁS, depois vindo a cair em desuso. O século XX não foi justo para um dos mais antigos engenhos do estado, fazendo com que o mesmo aos poucos tivesse que se desfazer de suas terras, que no total equivalem a quase todo o território da atual cidade de Camaragibe. Nos anos 60, a ultima Senhora do Engenho, Maria Anita Amazonas Mac Dowell loteia as terras do Camaragibe, iniciando então um desenvolvimento urbanístico em terras onde antes pairavam o verde dos canaviais. Nos anos 80, o então distrito da cidade de São Lourenço da Mata, de nome Camaragibe, se desmembraria daquela cidade, ganhando status de cidade. Já em 1995, grande parte do que sobrara do Camaragibe ainda em posse dos Amazonas Mac Dowell é destino a dins de interesses públicos, em projeto de lei da reforma agrária. O que sobrou do Engenho era então esfacelado. Dona Maria Amazonas viveu o suficiente para ver seu Engenho se transformar numa grande cidade, e sua imponente casa grande, já muito modificada em relação à primitiva sede do Engenho, por muitos conhecida como “casa de Maria Amazonas”, assistiu o alvorecer de variados tempos, de colônia a império, e de império a república. Assistiu a Canaviais serem transformados em cidade, assistiu o decair do áureo período dos grandes Engenhos, e a decadência da aristocracia açucareira parte de uma Olinda de outros tempos. Dona Maria Anita Amazonas Mac Dowell, faleceu serena, em idade de 98 anos, no dia 15 de junho de 2006. Tal como o Recife, Camaragibe é filha de Olinda, parte desta. Prosperou em seu seio, até fazer-se cidade bem viva, feita de um velho Engenho de Fogo Morto, cuja Casa grande ali está, a contar sua história, história que é parte integrante, de uma Olinda de antigamente. fonte áudio visual: Vídeo produzido por Rubemar Graciano fonte de texto: H. C. Santos para o Olinda de antigamente.

Devidamente liberado para divulgação no Camaragibe Agora

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